quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Arte Rupestre
Delirei...
Ao ver que meus instintos tão primitivos respondiam aos estímulos proporcionados pela tal arte rupestre. Eram imagens, restos de vasilhas, colares de dentes que estavam expostos na Argentina, remetendo diretamente ao passado tudo fazia parte da minha estória, a qual não compreencdia, mas entedi que ali começava nossa capacidade de criação.
Verão
Ai, ai...sol, verão, coisa boa, chuva de fim de tarde, pancada forte que leva os detritos da rua e lava a minha alma. Cheiro de chuva. Caminhar por aí e de repente ser surpreendida por torrentes de água, despejadas do céu sem a menor cerimônia e sem a menor chance para o guarda-chuva chinês, desses de 5 reais, que serve ao menos para cobrir minha cabeça. Serve nada, um vento forte vira ele do avesso, as varetas parecendo geléias de metal prontas a escorrer do nylon que as sufoca.
Chuva pedida, esperada. Eu gosto, me dá um frisson...O mormaço toma conta dos dias, das tardes, a gente se arrasta pelas horas sem outra vontade que não a de escapulir da prisão-escritório. Quem merece relatórios, cálculos vetoriais, acordos venais? Quem se conforma com sorrisos medidos, figurino insosso, conference calls com Nova York?
Não eu, nem eu, menos eu e mais meia dúzia de loucos varridos, afeitos ao pulsar dos relacionamentos, dependentes químicos da adrenalina-liberdade. Ir e vir, sem pressa nem hora, embaçar na cama, se nutrir, no café da manhã, com um livro novo, a doçura do pêssego e o olhar pidão do seu cachorro.
É tempo de pêssego, sabia? Variados, coloridos. Prefiro os suculentos, casca aveludada de arrepiar a garganta, delicados quando maduros, macios, quase escandalosos em sua beleza plástica. Modelos de natureza morta. Morta? Nunca concordei com esse termo; meus pêssegos na fruteira não têm nada de morto, são pura expressão de vida, exibindo sem pudor sua luxúria amarelo-avermelhada. Uma dentada e o prazer, que explode, alaga minha boca de carne e mel.
Natureza morta é o atropelo dos dias, o congestionamento angustiante, o sexo mecânico, a falta de alegria. Tédio, tédio, tédio. Tédio que te obriga a se afundar no trabalho para não ter de encarar sua covardia existencial. Que te afaga o ego com brinquedinhos caros e inúteis, cenouras amarradas à sua frente te obrigando a trabalhar mais e mais e mais. Recompensas, recompensas, você especial, você exclusivo, você premium. Você, menino-menina, perdido na floresta das conquistas, louco pra encontrar o caminho de casa.
Vem, menino, que eu te mostro a estrada e sigo com você. Vem que eu te afago bem de leve, te preparo um piquenique com meus pêssegos e te sirvo um beijo com a doçura deles. Vem que eu te ensino o prazer do vento na cara, do andar a pé, da agenda vazia, da tarde repleta de amor. Vem que eu jogo fora seu notebook, sua pressa insana, seu blackberry, sua fome de afeto. Jogo fora também meu guarda-chuva. Porque afinal é verão e não tem nada melhor para revigorar a alma do que se encharcar de sonhos e incertezas.
Chuva pedida, esperada. Eu gosto, me dá um frisson...O mormaço toma conta dos dias, das tardes, a gente se arrasta pelas horas sem outra vontade que não a de escapulir da prisão-escritório. Quem merece relatórios, cálculos vetoriais, acordos venais? Quem se conforma com sorrisos medidos, figurino insosso, conference calls com Nova York?
Não eu, nem eu, menos eu e mais meia dúzia de loucos varridos, afeitos ao pulsar dos relacionamentos, dependentes químicos da adrenalina-liberdade. Ir e vir, sem pressa nem hora, embaçar na cama, se nutrir, no café da manhã, com um livro novo, a doçura do pêssego e o olhar pidão do seu cachorro.
É tempo de pêssego, sabia? Variados, coloridos. Prefiro os suculentos, casca aveludada de arrepiar a garganta, delicados quando maduros, macios, quase escandalosos em sua beleza plástica. Modelos de natureza morta. Morta? Nunca concordei com esse termo; meus pêssegos na fruteira não têm nada de morto, são pura expressão de vida, exibindo sem pudor sua luxúria amarelo-avermelhada. Uma dentada e o prazer, que explode, alaga minha boca de carne e mel.
Natureza morta é o atropelo dos dias, o congestionamento angustiante, o sexo mecânico, a falta de alegria. Tédio, tédio, tédio. Tédio que te obriga a se afundar no trabalho para não ter de encarar sua covardia existencial. Que te afaga o ego com brinquedinhos caros e inúteis, cenouras amarradas à sua frente te obrigando a trabalhar mais e mais e mais. Recompensas, recompensas, você especial, você exclusivo, você premium. Você, menino-menina, perdido na floresta das conquistas, louco pra encontrar o caminho de casa.
Vem, menino, que eu te mostro a estrada e sigo com você. Vem que eu te afago bem de leve, te preparo um piquenique com meus pêssegos e te sirvo um beijo com a doçura deles. Vem que eu te ensino o prazer do vento na cara, do andar a pé, da agenda vazia, da tarde repleta de amor. Vem que eu jogo fora seu notebook, sua pressa insana, seu blackberry, sua fome de afeto. Jogo fora também meu guarda-chuva. Porque afinal é verão e não tem nada melhor para revigorar a alma do que se encharcar de sonhos e incertezas.
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